Bom Jesus do Amparo integra, nos dias 22 e 23 de maio, o V Festival da Cultura Tropeira, evento que valoriza a memória, as tradições e a importância histórica do tropeirismo para a região. A programação acontece no Parque de Exposições Tiné Motta e reúne cavaleiros, amazonas, apresentações culturais, homenagens e show musical.
Na sexta-feira (22), a programação começa com a chegada das comitivas de cavaleiros e amazonas entre 18h e 19h. Em seguida, serão realizadas homenagens a importantes nomes ligados à cultura tropeira do município: Raimundo dos Santos, conhecido como “Dico Doido”, Domingos Augusto Fonseca, o “Minguito”, além de uma homenagem in memoriam. Encerrando a noite, o cantor Gilvan Linhares sobe ao palco às 21h.
Já no sábado (23), os participantes serão recebidos com café da manhã às 7h. Às 10h, cavaleiros e amazonas seguem rumo ao Museu do Tropeiro, em Ipoema, fortalecendo a conexão entre as cidades e preservando uma das mais importantes manifestações culturais do interior mineiro.
O festival reforça a valorização da identidade tropeira e mantém viva a tradição que ajudou a construir a história econômica e social de Bom Jesus do Amparo e região.
“Dico Doido”: um tropeiro eternizado na memória da cidade
Entre os homenageados desta edição está Raimundo dos Santos (in memorian), popularmente conhecido como “Dico Doido”, personagem marcante da história tropeira de Bom Jesus do Amparo.
Nascido em fevereiro de 1929, Dico Doido iniciou ainda na adolescência sua trajetória no tropeirismo, atuando como auxiliar no comando de tropas. Seu trabalho fazia a ligação comercial entre Bom Jesus do Amparo e Santa Bárbara, cidade considerada um importante “Porto Seco” da época, onde mercadorias vindas da capital mineira e de outras regiões chegavam de trem para serem distribuídas pelos tropeiros.
Os produtos conhecidos como “Secos e Molhados” eram transportados por muares até Bom Jesus do Amparo e Ipoema, então chamada de Aliança. Com o passar dos anos, Dico tornou-se comandante de tropas, trabalhando para o fazendeiro e comerciante Gracindo José de Oliveira, conduzindo tropas por cidades como Sabará e Nova Lima.
Com orgulho, ele compartilhava histórias das longas viagens realizadas ao lado do companheiro tropeiro Minguito, lembranças que permanecem vivas na memória popular. Sua trajetória representa a dedicação e a coragem dos homens que ajudaram a sustentar suas famílias e movimentar a economia regional através do tropeirismo.
A homenagem prestada durante o festival reconhece a importância de Dico Doido, representado pela filha Maria do Carmo Santos, como símbolo de uma tradição que segue presente na identidade cultural de Bom Jesus do Amparo.
