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Mineração ameaça meio ambiente e patrimônio cultural no Morro Redondo, em Bom Jesus do Amparo

A possível instalação de um empreendimento minerário na região do Morro Redondo, zona rural de Bom Jesus do Amparo, tem gerado preocupação entre moradores e especialistas devido aos impactos ambientais e culturais previstos para a comunidade local.

De acordo com parecer técnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, o projeto da empresa Belmont Mineração Ltda. prevê a extração de rocha para produção de brita, com capacidade de até 200 mil toneladas por ano . A atividade inclui ainda unidade de tratamento de minerais e a formação de pilhas de rejeitos, o que pode provocar uma série de impactos negativos na região.

Entre os principais danos ambientais apontados estão a contaminação do solo e da água, alterações no sistema de drenagem natural, processos erosivos, emissão de poeira e ruídos, além do afugentamento da fauna e aumento do tráfego de veículos pesados nas estradas vicinais . Também está previsto o corte de centenas de árvores nativas, agravando a pressão sobre o ecossistema local.

Cultura e memória

Além das questões ambientais, a comunidade denuncia um impacto ainda mais sensível: a ameaça direta ao Cruzeiro do Morro Redondo. Erguido há mais de um século no ponto mais alto da região, o monumento é considerado um dos principais símbolos de fé e identidade cultural da população.

Inventariado pelo Conselho do Patrimônio Cultural em 2020, o Cruzeiro é palco de manifestações religiosas que atravessam gerações. Fiéis sobem o morro em peregrinação para rezar, cantar e realizar rituais tradicionais, como molhar a base da cruz em pedidos por chuva — prática que, segundo relatos, já teria coincidido com o fim de períodos de seca.

Mais do que um marco religioso, o Cruzeiro integra a paisagem cultural do território e representa a memória coletiva da comunidade. No entanto, moradores afirmam que o avanço da mineração deverá acabar com o Cruzeiro, eliminando um espaço sagrado e rompendo uma tradição centenária.

A situação expõe um conflito recorrente em Minas Gerais: o embate entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental e cultural. Embora o empreendimento prometa geração de empregos e aumento da arrecadação municipal, lideranças locais questionam se os benefícios compensam as perdas irreversíveis.

Para os moradores do Morro Redondo, a preocupação vai além dos impactos físicos. Trata-se da defesa de um modo de vida, de crenças e de um patrimônio que não pode ser reconstruído.

Enquanto o processo de licenciamento avança, cresce a mobilização da comunidade, que busca garantir que o progresso não apague a história e a identidade de um povo.

Foto: Arquivo Cida Ferreira

Prefeitura

A Prefeitura de Bom Jesus do Amparo informa que, até o momento, não foi possível emitir o alvará, em razão de notificação recebida do Ministério Público, que solicitou a apresentação da documentação necessária para a devida análise do processo.

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