Celebrado em 21 de maio, o Dia da Cachaça Mineira reforça a importância histórica, cultural e econômica de uma das bebidas mais tradicionais de Minas Gerais. Reconhecida nacionalmente pela qualidade de seus alambiques e pela produção artesanal, Minas segue como protagonista absoluto no setor, movimentando cerca de R$ 624,7 milhões em 2025.
O estado lidera com ampla vantagem o ranking nacional de estabelecimentos produtores, concentrando 40% de todas as unidades registradas no Brasil, o equivalente a 501 empreendimentos formais. A força da produção mineira está espalhada por diversas regiões, mantendo viva uma tradição passada de geração em geração.
Além da relevância econômica, a cachaça representa identidade cultural, memória afetiva e o fortalecimento da agricultura familiar em muitos municípios do interior mineiro.
Tradição familiar da Cachaça Tinezinha
Entre os destaques regionais está a tradicional Cachaça Tinezinha, produzida na Fazenda Santa Tereza, cuja história começou ainda no início do século XX.
A propriedade foi construída em 1900 por Manoel Moreira Motta, conhecido popularmente como “Tiné”. Com muito trabalho e dedicação, ele criou 11 filhos na fazenda, que posteriormente foi herdada por seu filho mais velho, João Carlos Motta.
Em 1967, João Carlos se casou com Conceição das Graças Duarte e juntos deram continuidade à história da propriedade, onde criaram os filhos Carlos Eduardo, Claudio, Cristiano, João Filho e Cesar.
Inicialmente voltada à pecuária, a fazenda passou por uma transformação em 1990, quando a família adquiriu um pequeno alambique de apenas cinco litros. Foi desse sonho simples e familiar que nasceu a Cachaça Tinezinha, criada em homenagem ao patriarca “Tiné”.
Ao longo dos anos, a marca se tornou conhecida em toda a região, mantendo a tradição da produção artesanal e familiar. Atualmente, além da produção da cachaça, a fazenda também desenvolve atividades como produção de leite, aluguel de máquinas agrícolas e produção de ovos caipira.


Fazenda Santa Terezinha foto: Divulgação Facebook
Cachaça Germana tem mais de um século de história
Outro grande símbolo da tradição mineira é a famosa Cachaça Germana, criada em 1912 na Fazenda Vista Alegre, em Nova União.
A produção começou de forma artesanal pelas mãos da matriarca Dona Maria Lúcia da Cruz, inicialmente destinada apenas ao consumo da família. Décadas depois, em 1980, os 10 irmãos da família Caetano assumiram o alambique e profissionalizaram a produção, transformando a marca em uma referência nacional.
O nome “Germana” foi inspirado em uma freira do século XIX que vivia na região da Serra da Piedade, conhecida por preparar remédios à base de cachaça e ervas medicinais. O termo também remete à ideia de algo puro, legítimo e genuíno.
Um dos maiores símbolos da marca é sua tradicional garrafa envolta em palha de bananeira. A técnica surgiu de uma necessidade prática do patriarca da família, que trabalhava como tropeiro e utilizava a palha para proteger as garrafas durante o transporte a cavalo, evitando que quebrassem nas viagens pelas estradas mineiras.

Neste Dia da Cachaça Mineira, histórias como as da Tinezinha e da Germana mostram que, mais do que uma bebida, a cachaça representa patrimônio cultural, tradição familiar e orgulho das raízes mineiras.
